“Navegando” no dispensável, Rubem Alves

Quando terminei de ler esse livro, a primeira coisa que me veio na cabeça foi: “esse livro não precisava existir!”. Ele é todo errado, cheio de ideias furadas, de absurdos, incoerências e até falta de respeito. O livro foi escrito no ano 2000 e não no século XV.

Rubem Alves ( Boa Esperança, Minas Gerais, 15/ 09/ 1933) que, segundo o meu amigo Wiki, tem formação em teologia, psicanálise e filosofia, é escritor e educador, com um curriculum tão invejável, como pôde escrever um livro tão simplório e desinformado?!

O livro tem uma seleção de 15 crônicas que tentaram ser poéticas, mas passaram longe disso, foram divididas em capítulos assim: “O MAR”, “O CAIS”, “PARTIDAS”, “VIAGENS” e “NAUFRÁGIOS”, títulos (o melhor do livro) não têm nenhuma coerência com os textos. Realmente, um livrinho “Titanic”, poderia ter ficado na gaveta ou no fundo- do- mar. Nessa hora que eu penso que, às vezes, o nome, a fama, é que faz a publicação, porque se esses textos fossem enviados para algum editor com o nome de algum desconhecido, certeza que no primeiro parágrafo já teria sido descartado. Vamos lá…

Logo na primeira frase da primeira crônica, “Em louvor à inutilidade”, ele diz “Brinquedo não serve para nada.” Não vou comentar sobre todos os absurdos dessa afirmação, mas cito só as básicas: os brinquedos servem para divertir, interagir e educar. E o escritor continua: “Objeto inútil. Útil é uma coisa que pode ser usada pra algo. Por exemplo, uma panela.” (p. 13) Quando eu li isso já vi que não poderia mais levar esse escritor a sério. E piorou. Ele disse que foi fazer uma palestra para o pessoal “da terceira idade”. A primeira coisa que disse que a idade deles era legal, porque chegaram na idade em que podem ser inúteis. As pessoas tomaram como uma ofensa. E é. Ninguém gosta de ser chamado de inútil em nenhuma idade. O texto inteiro apresenta um absurdo atrás do outro.

Na segunda crônica, tudo foi de mal a pior. Se esse homem é psicanalista, eu sou física nuclear. Em “A síndrome do pânico”, ele mesmo diz que conhece “pouquíssimo” do assunto ( e por que falar de algo que não entende?!). Ele usou a chacota, a graça sem- graça, a ironia, pra falar de problemas psicológicos e falou superficialmente de um tema sério e que atinge milhares de pessoas no mundo todo. Foi ofensivo. Ele diz que não acredita que a “Síndrome do Pânico” seja provocada por um desequilíbrio químico do organismo, como já foi provado cientificamente, e que a pessoa entra em pânico por ver algo que “lhe dá grande pavor”, como a visão de um cão feroz. Quem entende o mínimo do assunto, sabe que a Síndrome acontece em qualquer lugar, na fila do supermercado, no banco, cozinhando em casa, que o Pânico é sorrateiro, silencioso, que não precisa nenhuma visão pavorosa ( real ou imaginária) pra acontecer. Um psicoterapeuta que não entende do mal da humanidade?! (do medo?!)

Os demais textos são também ruins, muitas citações de outros escritores ou para “encher linguiça” ou para tentar passar uma imagem de grande erudição. Para dizer que existe algo de bom nesse livro: as citações de outros escritores que ele usa entre os capítulos e nas crônicas em si, mas que têm mais utilidade “desencaixadas” das ideias do autor do que no contexto.

Resumo: um livro incoerente, sem unidade, inconsistente, com ideias frágeis, também contraditório, que fecha com um texto dramático sobre a morte do amigo do escritor, onde ele praticamente chama “deus” de assassino, que ele (deus) estaria feliz e que era o culpado pela sua dor. Uma pessoa totalmente desequilibrada.

Quando leio livros assim fico mais a favor ainda dos e- books. Um verdadeiro crime derrubar árvores pra imprimir isso.

Veredito: NÃO RECOMENDADO!