Cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke

“Toda aprendizagem é um tempo de clausura. Assim, para o que ama, durante muito tempo e até ao largo da vida, o amor é apenas solidão.” (p. 69)

Rainer Maria Rilke (Praga, 1875 – Valmont, 1926) era checo, mas escrevia em alemão. Rainer nasceu Renè (“Renascido”) mas mudou de nome, provavelmente porque  teve uma infância muito infeliz. Sua mãe de origem judia converteu- se ao cristianismo por causa da perseguição na II Guerra Mundial. Seus pais separaram- se quando ele era criança e ao falecer a sua irmã mais velha,  sua mãe o obrigou a vestir- se de menina até os 5 anos.

Rainer é considerado um dos poetas mais importantes da Alemanha e do mundo. Viajou por toda a Europa, incluindo a Espanha. Foi amante de Lou Andreas-Salomé, casada e 14 anos mais velha que Rainer, antes ela era amante de Friedrich Nietzsche. Conheceu Tolstói e a psicanálise de Freud, graças à Lou que tinha sido sua aluna. O escritor tinha a saúde frágil e faleceu por causa de uma leucemia.

“Cartas a um jovem poeta” (em Portugal, “Cartas a um poeta”) reúne dez cartas que Rainer Maria Rilke trocou com um jovem admirador aspirante a escritor, o “senhor Kappus”, entre fevereiro de 1904 a dezembro de 1908. O livro é um daqueles que despertam paixão, é para se ter na cabeceira, ler devagar e sempre. É uma obra para ser carregada conosco pela vida.

Rilke fala através de metáforas sobre a vida e a morte, a tristeza, o imprevisível, o medo, o amor e a solidão, e como afrontá- los. O amor para ele é um sentimento que vai além do prazer e do sofrimento. É algo para ser cultivado e aprendido com o tempo e com a calma. Coisa que os adolescentes não conseguem fazer: esperar. Saber esperar, ter paciência, é uma das melhores virtudes no amor. Fala da força do primeiro amor, inesquecível:

“Quantos seres jovens há que não sabem amar, que se limitam a entregar- se (…) O rompimento seria um gesto fortuito e ineficaz. (…) Não julgue que o amor que conheceu adolescente se tenha perdido. Tenho a certeza de que esse amor apenas sobrevive, tão forte e poderoso na sua recordação, pelo fato de ter sido a primeira ocasião de estar só no mais profundo de si próprio, o primeiro esforço interior que tentou na sua vida”.

Ele dá alguns conselhos ao aprendiz de escritor: não escrever poemas de amor, falar sobre temas do dia a dia, não ler críticas literárias, que deve abandonar- se, não deve pensar demais, também procurar a inspiração no seu interior, nas suas recordações e experiências, já que os fatos externos não importam muito. Ser indulgente com os mais velhos, mas não lhes pedir conselhos. Prudência com as palavras. Explica o que é ser um artista (de verdade) e pediu que o o jovem escritor se perguntasse: “Morreria se não me fosse permitido escrever? (p. 17) Se a resposta fosse negativa, que devia abandonar.

“O tempo não é uma medida. Ser artista não é contar”. (p.32)

Rilke, R. M., “Cartas a um poeta”, Portugália, Lisboa, 2009. 101 páginas.

Preço: 5 euros, Livraria Sá da Costa (Lisboa)