Lev Tolstoi: “A morte de Ivan Ilitch”

Impressionante e intenso livro condensado em apenas 91 páginas desse gênio da literatura russa e mundial, Lev (ou Liev, Leo, León, Leão) Tolstoi (1828-1910) mais conhecido pelos romances “Guerra e Paz” e “Anna Karenina”.

Foto: Wikipédia

António Lobo Antunes escreveu o prefácio dessa edição da Leya e se declara completamente maravilhado com a obra, que já leu mais de 30 vezes e confessa que lerá “até o fim dos seus dias” (p. 5).

O livro começa com o velório do personagem e logo vem a apresentação da vida de Ivan Ilitch, que é um cidadão comum, trabalhador, casado e pai de dois filhos,  com problemas como todo mundo, dos mais tristes aos mais cotidianos. De repente a dor, a descoberta da doença misteriosa, sem nome, até o seu final. Todas as suas sensações e medos são descritos de forma magistral que nos fazem sentir a sua agonia. O sofrimento de Ivan é também o nosso. Passamos a partilhar o seu medo, que vai do desespero à esperança muito rápido. A dor física inferior a dor da alma: a solidão, a vontade de um abraço que nunca chega , a insensibilidade da família que vai ao teatro enquanto Ivan geme de dor. A doença que incomoda a mulher e os filhos, que têm pena, mas ao mesmo tempo querem se livrar de tudo aquilo.  Os anos de luta,  e agora a certeza da morte próxima. A saúde alheia que ofende, que machuca. A confusão e a busca de respostas.

A hora da morte é solitária, embora rodeada de pessoas. As recordações da infância e a busca de sentido para tanta dor, Ivan se pergunta se viveu como devia ter vivido, foi feliz? A resposta pode ser muito triste.

Sentimentos que esperamos não passar, mas que é comum para todos (a morte), contados de uma forma que nos deixa com um nó na garganta e lágrimas insistentes nos olhos. Depois de tudo, de tanto sofrimento, a morte deixa de parecer tão ruim.

A morte é “luz”.

Tolstoi, L. A morte de Ivan Ilitch, Portugal, Leya, 2008.

Preço: 5,95 euros