“Sherezade ya no danza”, Sandra García Colina

“O que veio primeiro, o desenho ou o texto?”, essa foi a pergunta que fiz para Sandra García Colina,  escritora/ artista plástica nascida no País Basco, Bilbao (1973). Seriam muitas outras perguntas, mas nosso encontro  marcado no Parque del Retiro foi cancelado pela escritora e essa pergunta foi respondida via Facebook.:

Primero vinieron algunos de los relatos, no todos, porque son una descripción vital, como un camino que ha ido parejo.
La pintura es la fotografía de la vida que Sherezade quiere tener, en algunas ocasiones y en otras los cuadros reflejan la sensibilidad y fuerza de una mujer valiente.
No hay una correspondencia cronológica entre relatos y cuadros. Son dos escenarios diferentes y , al mismo tiempo, complementarios.
Podríamos decir que son como la música y la partitura de la vida de Sherezade.

Primeiro vieram alguns dos relatos, não todos, porque são uma descrição vital, como um caminho que veio em dupla. A pintura é a fotografia da vida que Sherazade quer ter, em algumas ocasiões, em outras os quadros refletem a sensibilidade e a força de uma mulher valente. Não existe uma correspondência cronológica entre relatos e quadros. São dois palcos diferentes e, ao mesmo tempo, complementários. Poderíamos dizer que são como a música e a partitura da vida de Sherazade.”

Sandra publicou “Sherezade ya no danza” (Sherazade já não dança”) seu primeiro livro que foi lançado na última Feira do livro de Madri, um belo impulso para uma escritora novata. Contos, mas que poderiam estar reunidos em uma única narrativa, pois a personagem é a mesma e os textos são suficientemente coesos, interligados para estarem juntos num único texto.

O livro é muito breve, breve demais: 57 páginas compostas por 21 micro- contos e 24 reproduções em preto e branco de quadros ( em cores) pintados pela escritora/pintora. O cenário dos textos e imagens acontecem na Turquia, uma Sherazade que dança, que vende o seu corpo, mas que não gosta, quer se libertar e se liberta. Textos que falam de amor e desamor, de sonhos e busca pela felicidade.

Quando vi esse título pela primeira vez, “Sherezade ya no danza”, a impressão que me passou foi de que seria uma obra de cunho feminista, que trouxesse alguma novidade à respeito da atual situação da mulher na sociedade contemporânea. Estava enganada, não há teoria feminista alguma, é um livro carregado de misticismo, que inclusive cita termos como “dívidas kármicas” (pág. 53) ou “karmicamente” (pág. 52) mostrando que a autora (supostamente) acredita em destino e na pré- determinação dos acontecimentos.

No Facebook da artista é possível ver na sua galeria os quadros originais, coloridos. Uma pena no livro não terem reproduzido em cores, pois perde muito as imagens em preto e branco. Os quadros mostram cenas típicas do deserto com uma Sherazade que lembra uma sereia, muito feminina e sensual com suas curvas e cabelos longos. Uma escritora que é uma excelente artista plástica.

Colina, S. G., Sherezade ya no danza, Madrid, Sial, 2010.

Preço: 15 euros

Compra online: Livraria Proteo.

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